Lixo Extraordinário!

Assisti um dia desses um documentário do qual ouvi falar muito.Chama-se ‘Lixo Extraordinário”, que mostra o projeto do renomado artista plástico Vik Muniz, com todo um tempero de cidadania e compaixão para com as pessoas que trabalham como catadores de lixo reciclável.

Me marcou demais e inclusive salvei o trailler nos favoritos, pra que toda vez que, por um acaso ou outro, eu me desanimar ou me decepcionar com as pessoas, o motivo pra me alegrar e continuar a caminhada permaneça no meu coração. A certeza de que sempre é possível fazer diferença na vida de algúem, como serva de Jesus. Assunto que tem me perseguido nos últimos dias…

Segue o trailler:

Ide. Exatamente um verbo definiu a ultima vontade de Jesus Cristo para a Igreja antes da sua morte. Ali ele expressa o motivo de sua vida e convivência com os discípulos durante os três anos de ministério: que a mensagem que Ele pregou se espalhasse pela terra. Um Deus que antes se revelou através de um relacionamento com um único povo, agora, deseja ser conhecido por todas as nações.

Jesus não foi mais um ‘rabi’ ou mestre, como tantos de sua época, querendo pregar suas doutrinas e mudar o mundo liderando uma rebelião. Não foi um ativista contra o Império Romano ou um reformador social. Não, Jesus foi aquele que revelou um Deus que ama, que sente, que se alegra, características não encontradas nos outros tantos deuses das culturas adjacentes da época. Um Jesus que sofre quando sabe que seu amigo Lazáro está morto, que se compadece dos pobres à beira do caminho, que abraça quem sempre foi rejeitado. Alguém que em todo tempo estava disponível para as pessoas completamente alheias à sua vida natural. Esse é o Jesus o qual chamamos mestre.

Ide; um verbo imperativo, bem interpretado pelos nossos irmãos do século I. Em Atos dos apóstolos, livro escrito por Lucas, companheiro de Paulo em suas viagens missionárias, vemos o relato de como vivia a Igreja e, lendo o texto, facilmente questionamos em que momento da história perdemos o foco.

No capítulo 2, versos 42 a 46 notamos que umas das características mais marcantes desse recente grupo cristão era a disposição das pessoas de, caso fosse necessário, venderem suas propriedades para ajudar um próximo. Como é difícil para a maioria de nós, cristãos pós-modernos, decidirmos vender o nosso iPad ou celular de última geração, para ajudar no sustento de uma família pobre, ali mesmo, da nossa própria comunidade local. O máximo que temos feito é fazer uma oração e dar três tapinhas nas costas, desejando que a pessoa ‘vá com Deus’. Que tipo de espiritualidade é essa?

A Igreja é a resposta de Deus para a solidão humana. Temos a responsabilidade para com as viúvas, para com os órfãos, para com os aflitos e vamos um dia responder por isso. Esse é, basicamente, o nosso papel enquanto todos dias que o sol nasce e se põe sobre nossas cabeças.

Podemos afirmar, seguramente, que a comunhão entre os irmãos é algo divino. Receber as bênçãos do Senhor em resposta a fidelidade financeira também é algo do céu. Possuir templos e estruturas para nos reunirmos é louvável, mas se me recordo bem, o único motivo para que haja festas nos céu é quando  aquela pessoa que está com sua vida destruída, vivendo com base em teorias supérfluas e com um vazio no coração, conhece a mensagem de Jesus, como ela realmente é, e entrega sua vida, passando a andar de modo diferente, dia após dia, ano após ano, um processo às vezes demorado, mas valioso.

É exatamente nesse processo que a Igreja hoje tem sido apática. Fácil é fazer um convite para alguém visitar os cultos, difícil é discipular e ter paciência com os escorregões que ela terá em sua vida. Fácil é registrar uma ONG ou começar um projeto social, providenciar uma estrutura física e até patrocínios, difícil é ajudar e discipular uma adolescente de 16 anos que aparece pedindo sua ajuda para abortar pela terceira vez um bebê. Fácil é fazer cursos de liderança, de aconselhamento e de maturidade cristã, difícil é cuidar e discipular com amor e paciência a esposa que pensa em suicídio após encontrar o esposo na cama com outro homem. Todos os dias, alguém luta com sua dor. Todos os dias podemos marcar a vida de alguém.

Precisamos rever o nosso papel. Recomeçar. Olhar para o lado, perceber os que estão à beira do precipício e parar de fazer vista grossa, como se não pudéssemos fazer nada. A Igreja tem o próprio Deus a seu favor, aliás, a Igreja é idéia de Deus. Temos o potencial de impactar nossa comunidade e até governos com nossa postura cristã. Voltar a ter a simpatia do povo, como a Igreja Primitiva.

Não interessa em que momento perdemos as características da Igreja de Atos, interessa quando vamos resgatá-las. O mundo aguarda a manifestação dos filhos de Deus, daqueles que sabem que sua salvação não depende de obras ou conhecimentos teológicos que os capacita a convencer seu oponente numa discussão, daqueles que são movidos pelo próprio amor que envolvia o coração de Jesus, nós, a Igreja.

marianna veiga

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Sobre Mari Veiga

Oi! Tenho 27 anos, sou pastora evangélica, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Carisma e pela Faculdade Unida. Também sou teacher! Dou aulas de inglês e amo fazer isso! Sou casada com um cara charmosíssimo e, juntos, somos discípulos de Jesus. Moro em Palmas, no Tocantins. Se quiser falar comigo, mande e-mail para mariannaveiga@hotmail.com
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